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Atualidades
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Jesse Jackson, braço direito de Martin Luther King, morre aos 84 anos

Pastor batista e cotado para à presidência dos EUA, Jackson foi um dos principais articuladores do movimento pelos direitos civis.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
17/2/2026 15:47
Reprodução

Jesse Jackson morreu na manhã desta terça-feira (17), aos 84 anos, em decorrência de complicações da doença de Parkinson, diagnosticada em 2017.

O ativista faleceu em sua residência, cercado pela família.

A notícia encerra uma trajetória de seis décadas de trabalho pela diplomacia e pela luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Quem é Jesse Jackson?

Nascido em 1941 na Carolina do Sul, Jackson cresceu sob as leis "Jim Crow", que impunham a separação racial em espaços públicos.

Seu ingresso no ativismo ocorreu na faculdade, após ser preso ao tentar entrar em uma biblioteca reservada a brancos.

Na década de 1960, tornou-se colaborador próximo de Martin Luther King Jr., integrando a Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC).

Jackson estava presente no Lorraine Motel, em Memphis, no dia 4 de abril de 1968, quando King foi assassinado.

Após a morte do mentor, ele fundou a Rainbow PUSH Coalition, organização focada na defesa de minorias e no empoderamento econômico da comunidade negra.

Campanha presidencial e declarações antissemitas

Jesse Jackson alterou a dinâmica do Partido Democrata ao disputar a indicação para a presidência em 1984 e 1988. No entanto, sua primeira campanha foi marcada por uma crise diplomática interna.

Durante as primárias de 1984, Jackson utilizou termos antissemitas em conversas com jornalistas, referindo-se aos judeus como "hymies" e à cidade de Nova York como "Hymietown".

O termo é uma variação pejorativa do nome Hyman. Após negar o episódio inicialmente, o pastor pediu desculpas públicas, mas o evento gerou um desgaste permanente com o eleitorado judeu.

A tensão foi agravada por posicionamentos anteriores, como o apoio à criação de um Estado palestino e o reconhecimento da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Em 1979, Jackson foi criticado ao ser fotografado abraçando Yasser Arafat e por manter laços políticos com Louis Farrakhan, líder da Nação do Islã conhecido por declarações antissemitas.

Missões humanitárias de Jackson

Apesar das polêmicas domésticas, Jackson atuou como enviado especial do governo Bill Clinton para a África e ganhou notoriedade por mediar crises internacionais.

Ele negociou diretamente com líderes estrangeiros para garantir a libertação de cidadãos americanos:

  • Síria (1984): obteve a libertação do aviador Robert Goodman Jr;
  • Cuba (1984): negociou a soltura de dezenas de prisioneiros políticos;
  • Iraque (1990): reuniu-se com Saddam Hussein para liberar reféns após a invasão do Kuwait;
  • Sérvia (1999): mediou a entrega de três soldados americanos capturados.

Em 2000, Jackson recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos.

Mesmo com o avanço do Parkinson, manteve presença em atos públicos recentes, como os protestos após a morte de George Floyd em 2020.

Em nota, a família Jackson descreveu o ativista como um "líder servidor para os oprimidos e marginalizados em todo o mundo".

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