Arsenal nuclear à disposição da Europa
O grande diferencial do novo plano de Macron é a chamada "dissuasão avançada". Pela primeira vez, a França coloca seu poder nuclear para proteger não apenas suas fronteiras, mas também seus vizinhos europeus.
Um grupo de oito países, como Alemanha, Polônia e Reino Unido, já aceitou participar de treinamentos conjuntos e trocar informações de inteligência.
Na prática, isso significa que aviões franceses prontos para o combate poderão usar bases em solo aliado, o que torna quase impossível para um inimigo prever de onde viria uma resposta.
Apesar dessa união, Macron deixou claro que a palavra final continua sendo apenas dele. O controle do arsenal permanece exclusivo da França, sem divisão de planos ou de ordens.
A decisão de usar a força máxima está apenas nas mãos do presidente francês, que reforçou a ideia de que a sobrevivência dos parceiros europeus está ligada à segurança da própria França.
Em suas palavras, as linhas vermelhas francesas não podem ser vistas pelo inimigo, mas elas existem e cobrem os aliados.
A mudança de rumo do continente ficou clara até nos nomes dos submarinos. Os modelos antigos foram batizados em uma época de otimismo, mas o novo gigante dos mares, que deve ficar pronto em 2036, recebeu o nome de "O Invencível".
Ele terá a missão de enfrentar ameaças em um mundo onde os acordos de paz do passado foram deixados de lado.
As três fraquezas da Europa
O plano agora é focar em resolver as três maiores fraquezas da Europa. Primeiro, melhorar os radares e satélites para detectar mísseis vindo de longe.
Depois, garantir uma defesa total contra ataques de drones e aviões. Por fim, garantir que o continente tenha mísseis potentes o suficiente para alcançar grandes distâncias.
Para dar a dimensão desse poder, Macron lembrou que apenas um de seus submarinos carrega mais explosivos do que todas as bombas usadas em toda a Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
"Um único submarino nosso, como o que está atrás de mim, possui capacidade de ataque equivalente à soma de todas as bombas lançadas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Isso é quase 1.000 vezes o poder das primeiras bombas nucleares"
Com esse movimento, a França avisa ao mundo que o continente não quer mais depender de favores ou promessas de outros países, mas sim da sua própria capacidade de se defender.