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Crime
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Quem é El Mencho? Morte do traficante deu início à vingança que parou o México

Cartel está atacando autoridades e incendiando alvos aleatórios em retaliação.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
23/2/2026 15:15
Jornal A Semana

A morte do traficante El Mencho neste domingo (22) fez com que o México vivesse cenas de guerra, com trocas de tiros nas ruas, bloqueios em estradas e negócios em chamas.

O caos que toma conta do país marca o fim de uma das caçadas humanas mais longas na história do narcotráfico mexicano.

Isso porque o criminoso era o principal líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do mundo.

Conheça abaixo a trajetória de El Mencho e de seu Cartel.

Traficante foi deportado dos EUA e trabalhou como policial

Pouco se sabe sobre as origens de El Mencho. Ele teria nascido na região de Michoacán em uma família pobre de agricultores que cultivavam abacates.

Ainda jovem, ele imigrou ilegalmente para os EUA e chegou a ser detido três vezes por delitos menores

No entanto, foi deportado na década de 1990, após cumprir pena por tráfico de heroína em Sacramento, na Califórnia.

Foto da ficha criminal do jovem Nemésio nos EUA. Imagem: BBC.

De volta ao México, Mencho começou a trabalhar como policial no município de Jalisco, mas usava a posição para aprender e trabalhar para o tráfico.

Ele chegou a ser parte do círculo de segurança de Armando Valencia Cornelio, mais conhecido como Maradona, um dos líderes do Cartel do Milênio.

Na época, o grupo era comandado por Ignacio "Nacho" Coronel, que morreu em 2010 dando início a uma disputa que fragmentou a organização.

“Mata Zetas”: El Mencho liderou guerra entre cartéis 

O braço militar do grupo era conhecido como Mata Zetas, por combater o Cartel de Los Zetas, uma organização formada por ex-membros das forças especiais mexicanas conhecida pela violência extrema.

Anúncio dos Mata Zetas. Imagem: Reprodução.

Com a fragmentação do Cartel do Milênio, os Mata Zetas se separaram sob a liderança de El Mencho em 2013 e assumiram o controle de diversas rotas de drogas. Nascia assim o Cartel de Jalisco Nueva Generación.

Em poucos anos, a organização deixou de ser um grupo local para se expandir em diversas regiões, chegando a ter presença em quase todos os estados do país.

As expansões aconteceram em um momento no qual muitas lideranças importantes de organizações rivais, o que fez com que esses grupos se enfraquecessem ou deixassem de existir.

O Cartel se tornou um dos maiores vendedores de metanfetamina e fentanil para os EUA. Essas drogas sintéticas têm causado uma crise de saúde sem precedentes no país.

Cartel virou organização paramilitar

O dinheiro das drogas é usado para alimentar a poderosa e bem construída capacidade militar do CJNG

O grupo chega a fabricar seus próprios fuzis AR-15 com bases feitas em oficinas clandestinas com blocos de alumínio e componentes importados.

Além disso, os vídeos da organização exibem carros blindados, uniformes e armas de guerra.

O Cartel também conta com uma ampla rede de proteção, que envolve policiais corruptos e políticos em sua folha de pagamento.

O poder militar e a venda de toneladas de drogas para o território americano colocaram El Mencho na mira das autoridades internacionais. 

O governo americano chegou a colocar uma recompensa de US$15 milhões (R$77,4 milhões) por informações que levassem à captura do traficante.

Cartaz de procurado para El Mencho. Imagem: Al Jazeera.

Nos últimos anos, no entanto, rumores alegavam que Nemésio estaria lidando com um inimigo mais perigoso do que a polícia, seu próprio corpo.

Ele tinha uma doença renal crônica e chegou a fazer um hospital particular na região em que morava.

Como foi a operação que acabou com a morte do traficante?

A operação que acabou com sua morte aconteceu enquanto ele se preparava para pegar um avião rumo à cidade do México, onde receberia tratamento de saúde

Assim que os agentes tentaram abordá-lo, seus homens abriram fogo contra os oficiais, levando a uma troca de tiros que acabou com quatro mortos.

Outros três membros do cartel ficaram feridos, entre eles El Mencho, mas acabaram morrendo enquanto eram transportados para a Cidade do México, onde receberiam tratamento.

Três militares mexicanos que participaram da ação ficaram feridos, mas conseguiram sobreviver após a ajuda médica.

Uma nota da Secretaria de Defesa Nacional afirmou que foram apreendidos veículos blindados e armas, “incluindo lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir blindagens”.

Mortes aumentaram com política “menos violenta” do governo

Desde a campanha eleitoral que levou o partido de esquerda MORENA ao poder, a sigla defende uma política não violenta para combater os carteis.

O ex-presidente Manuel López Obrador chegou a falar em um modelo chamado de “abraços e não balas.

O governo focou em políticas sociais e afirmativas que tirassem os jovens do tráfico, o que não conseguiu resolver o problema da violência.

Na realidade, os primeiros anos do governo Obrador foram marcados por um aumento na violência e recordes de assassinatos no país

Apesar disso, a presidente Cláudia Sheinbaum também já chegou a falar publicamente contra a guerra ao narcotráfico em seu país:

“Todos esses da direita que enchem a boca para falar em Estado de direito defendem a guerra contra as drogas. A guerra às drogas está fora da lei, porque como é dito em várias ocasiões ‘é permissão para matar sem nenhum julgamento’ e não serviu para nada.

Ela acusou os defensores desse tipo de política de “autoritários” e chegou a compará-lós com os fascistas.

Uma nação que seguiu por um caminho totalmente diferente foi El Salvador. Lá, o governo do presidente Nayib Bukele aplicou uma política linha dura e conseguiu acabar com as gangues que dominavam a região.

O país deixou de ser um dos mais violentos do mundo para se tornar um dos mais seguros, com mais de 1000 dias sem um assassinato.

No entanto, o modelo tem sido criticado por ONGs e opositores, que acusam Bukele de violar direitos humanos e transformar El Salvador em uma ditadura.

A Brasil Paralelo levou suas câmeras para lá e entrevistou ministros, jornalistas e até entrou nas principais prisões do país. O documentário vai ser lançado em breve. 

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