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Atualidades
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Pessoas que param de usar canetas para emagrecimento tendem a ganhar peso 4x mais rápido do que quem faz dieta

Pesquisa reúne dados com mais de 9 mil pacientes e compara perda e recuperação de peso entre diferentes abordagens.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
12/1/2026 17:31
Reprodução

Uma análise publicada no British Medical Journal mostrou que a interrupção do uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” pode resultar na recuperação do peso perdido quatro vezes mais rápido do que quem interrompe dietas convencionais.

Prescritos por médicos e aprovados por agências regulatórias, medicamentos como Ozempic e Mounjaro vêm sendo incorporados ao tratamento da obesidade e de doenças associadas ao excesso de peso, como diabete tipo 2 e gordura no fígado.

O que os estudos mostraram?

A pesquisa reuniu dados de 37 estudos clínicos com mais de 9 mil pacientes para comparar a perda e a recuperação de peso entre diferentes abordagens de emagrecimento.

Foram oito estudos específicos com medicamentos da classe GLP-1, como Wegovy e Mounjaro. Segundo os pesquisadores, em média, usuários dessas medicações chegam a perder cerca de 20% do peso corporal durante o tratamento.

No entanto, após a interrupção do uso a recuperação ocorre em ritmo mais acelerado: aproximadamente 0,8 kg por mês, retornando o peso anterior em cerca de um ano e meio.

Já pessoas que emagrecem apenas com dieta e atividade física tendem a perder menos peso no mesmo período, mas levam mais tempo para recuperar os quilos, cerca de 0,1 kg por mês.

A pesquisadora Susan Jebb, da Universidade de Oxford, disse que os resultados se baseiam em ensaios acompanhados durante um ano.

“Ainda são necessários estudos de longo prazo para entender os efeitos após a interrupção”, afirmou.

Por que o peso tende a voltar tão mais rápido?

Os medicamentos GLP-1 imitam a ação de um hormônio natural do organismo responsável por regular a fome e a saciedade.

Segundo o nutricionista Adam Collins, da Universidade de Surrey, o uso prolongado dessas substâncias pode reduzir temporariamente a produção natural do hormônio e a sensibilidade do corpo a ele.

Quando esse “reforço artificial” do medicamento é retirado, o controle do apetite pode diminuir de forma abrupta, aumentando a chance de compulsão alimentar.

"Foi como se algo dissesse na minha mente: 'Coma tudo, vá em frente, você merece, porque não come nada há muito tempo'”, relatou uma paciente ouvida nos estudos.

Quanto custa os medicamentos?

No Reino Unido, cerca de 1,6 milhão de adultos utilizaram essas injeções no último ano, majoritariamente por meio de prescrições privadas. Outros 3,3 milhões afirmam ter interesse em usar os medicamentos, segundo a Cancer Research UK.

No Brasil, Wegovy e Mounjaro são aprovados pela Anvisa. Em dezembro de 2025, a agência ampliou a indicação do Wegovy para incluir gordura no fígado associada à inflamação.

O Mounjaro passou a ser vendido nas farmácias em maio de 2025, com quatro doses de 2,5 mg em torno de R$ 1.400.

Atualmente, os medicamentos não estão disponíveis no SUS, mas há discussões sobre uma eventual incorporação ao sistema público.

Benefícios e recomendações quanto ao uso correto

O professor Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, afirmou que as injeções podem trazer benefícios adicionais à saúde:

"É plausível que, ficar mais magro por dois ou três anos, mesmo com uso de curto prazo das injeções, ajude a retardar danos às articulações, ao coração ou aos rins. Ensaios maiores e de mais longa duração serão necessários para responder a essa questão", disse Sattar.

As farmacêuticas Eli Lilly (Mounjaro) e Novo Nordisk (Wegovy) afirmam que o uso dos medicamentos deve ser acompanhado de alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico.

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