O governo Milei enfrenta uma crise de imagem a poucas semanas das eleições legislativas de 26 de outubro.
A Justiça investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, Karina Milei.
O subsecretário de gestão institucional do governo, Eduardo “Lule” Menem, também estaria envolvido. Ele é primo do presidente da Câmara dos Deputados, Martín Menem.
As acusações envolvem:
As suspeitas se baseiam em uma série de áudios do ex-diretor da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência, Diego Spagnuolo, vazados para o canal Carnaval Stream.
Nas gravações, Spagnuolo afirma que contratos de fornecimento de medicamentos à rede pública estavam sendo superfaturados em até 8%.
Aproximadamente 3% do valor pago a mais pelos remédios estaria sendo enviado diretamente à irmã do presidente.
De acordo com os áudios, o esquema teria rendido mensalmente entre US$500 mil e US$800 mil dólares em propinas, o equivalente a R$2,7 milhões e R$4,3 milhões.
A principal empresa envolvida na propina seria a distribuidora farmacêutica Suizo Argentina, que intermediava as compras feitas pela agência estatal.
Entenda mais sobre a política da Argentina e como o país caiu na crise que levou Milei ao poder com a trilogia A Queda da Argentina. Assista ao primeiro episódio abaixo:
Spagnuolo chega a afirmar que havia informado Milei sobre o caso, mas o presidente não fez nada:
“Estão fraudando a minha agência… Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina.”
Em outra gravação ele também afirma que Milei não teriam buscado parar os esquemas de desvio de verbas públicas:
“Eles não consertaram nada”, afirma.
O áudio foi divulgado na imprensa argentina no dia 20 de agosto. Poucas horas depois, o advogado de Cristina Kirchner, Gregorio Dalbón, denunciou Spagnuolo à Justiça.
O caso segue sob investigação. Milei nega as acusações e disse à imprensa que vai levar Spagnuolo para a Justiça:
"Tudo o que ele diz é mentira, vamos levá-lo à Justiça e provar que mentiu", afirmou.
Até o momento, Karina Milei não se posicionou sobre o caso.
Esta não é a primeira vez que o governo Milei sofre acusações de envolvimento com corrupção.
Em fevereiro, o presidente divulgou uma criptomoeda chamada $LIBRA, atraindo o investimento de milhares de pessoas.
O valor da moeda saiu de US$0,000001 para US$5,20, aproximadamente R$28,08, em poucas horas.
No entanto, a $LIBRA despencou logo em seguida. Quase 80% do ativo estava sob controle de poucos investidores, que venderam tudo quando a moeda ganhou valor.
Isso é um tipo de golpe, conhecido no mercado como "rug pull" ou "puxada de tapete" em português.
As estimativas apontam para perdas de mais de US$100 milhões, o equivalente a R$543 milhões na cotação atual.
Milei apagou a publicação e disse não conhecer os detalhes do projeto. Mais tarde, afirmou ter solicitado ao Escritório Anticorrupção que investigasse o caso.
Desde fevereiro, o governo vinha conseguindo evitar a criação de uma CPI para investigar o caso.
No entanto, a oposição conseguiu reunir apoio para aprovar a criação de uma Comissão nesta quinta-feira (28), após o vazamento das gravações.
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