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Brasil
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A esquerda está perdendo força na América do Sul?

Uma leitura política e econômica sobre o que vem pela frente no continente.

Por
Francisco Litvay
Publicado em
9/2/2026 16:51
Da esquerda para a direita: Gustavo Petro, Lula e Nicolás Maduro.
Artigo de Opinião 

Hoje, eu queria te convidar para uma viagem um pouco diferente. Não turística, mas política e econômica, passando pelos principais países da América do Sul para tentar responder a uma pergunta que vem aparecendo com cada vez mais frequência: a esquerda está mesmo perdendo força no continente?

Mas antes de começarmos, para quem ainda não me conhece: meu nome é Francisco Litvay. Há anos acompanho de perto como decisões políticas e econômicas impactam a vida de pessoas e empresas em diferentes países. 

Sou fundador da Settee, uma empresa focada em estratégias de internacionalização, Teoria das Bandeiras e diversificação geográfica de patrimônio e negócios.

Feita essa introdução, vamos ao que interessa.

Todo começo de ano costuma vir acompanhado de promessas, listas de metas e previsões econômicas. Algumas parecem leitura de horóscopo, outras tentam adivinhar números com precisão cirúrgica.Aqui, a proposta é diferente. Em vez de bancar o vidente, vamos olhar para dados, acontecimentos políticos recentes e tendências, para que você tire suas próprias conclusões sobre o que 2026 pode reservar para a América do Sul.

Cenário político

Hoje, Argentina, Paraguai, Peru, Equador, Bolívia, e Chile, que mudou recentemente, já são governados pela direita. 

O Paraguai já não fazia parte do grupo de países governados pela direita há bastante tempo. O Equador mudou em 2021, a Argentina em 2023, e 2025 marcou a virada do Peru e da Bolívia e agora o Chile entra nesse novo capítulo.

Eles são consequência de um padrão que vem se repetindo há anos. Quando a segurança piora, a inflação sai do controle e o Estado só se faz presente para cobrar imposto, o pêndulo político costuma virar para a direita.

Então, na América do Sul restam Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela com governos de esquerda.

Se o padrão do Chile se repetir, a Colômbia será a próxima a mudar de direção.

Já a Venezuela, teve Maduro detido pelos EUA em janeiro de 2026 e agora está com um governo de transição liderado por Donald Trump, por tempo ainda indeterminado.

Crescimento econômico

Do ponto de vista econômico, a América Latina deve crescer mais do que Estados Unidos e Europa em 2026, mas ainda ficará atrás de outros mercados emergentes. 

Em termos práticos, isso significa uma melhora relativa, porém longe de qualquer boom econômico.

Depois de um segundo semestre fraco em 2025, a expectativa é de alguma recuperação ao longo de 2026, ainda assim abaixo do potencial histórico da região. O cenário é de estabilidade em um patamar baixo.

Dentro desse quadro morno, a Argentina surge como uma exceção positiva. A terceira maior economia da América Latina lidera as projeções de crescimento para 2026, com estimativas próximas de 4%, impulsionado pela recuperação econômica esperada após a vitória expressiva do partido do presidente Javier Milei nas eleições de meio de mandato.

Alguns números ajudam a entender esse otimismo. Em 2025, a Argentina eliminou todos os impostos sobre eletrônicos importados, fazendo com que um iPhone 16 Pro Max ficasse mais de R$ 2.000 mais barato do que no Brasil. 

Zerou impostos para até 50 mil carros zero quilômetro por ano, ao longo de cinco anos, e ainda ultrapassou o Uruguai, tornando-se o país mais seguro da América Latina.

Se essa trajetória se mantiver, o impacto pode ir além das fronteiras argentinas.

Não seria surpresa ver líderes eleitos na Colômbia, no Peru ou até no Brasil sentirem pressão para testar caminhos semelhantes, com menos intervenção estatal e maior abertura econômica.

No Chile, a recente vitória de José Antonio Kast marca o retorno da direita ao poder após um período de promessas constitucionais frustradas e reformas que não entregaram os resultados esperados. Agora, os chilenos contam com Kast para implementação de Medidas de imigração como Trump, cortes de gastos e isenções fiscais como Milei e segurança como Bukele.

Já na Bolívia o cenário é mais duro. Rodrigo Paz assume em meio a uma das piores crises econômicas em décadas. A inflação anual supera 23%, as reservas internacionais estão em níveis criticamente baixos e isso já se traduz em limitação de importações e escassez severa de combustível. 

Ainda assim, a eleição foi histórica: pela primeira vez em 20 anos, o Movimento ao Socialismo perdeu o poder.

O caso brasileiro

Quando olhamos para o Brasil, o cenário é bem menos animador. O crescimento continua abaixo do potencial e o próprio FMI já revisou para baixo a projeção para 2026, de 2,1% para 1,9%. Para uma economia desse tamanho, é pouco. E, mais do que isso, expõe problemas antigos que seguem sem solução.

O ponto mais sensível, no entanto, está no fiscal. Em 2025, os gastos públicos chegaram a 78,6% do PIB, o nível mais alto entre os principais países emergentes, atrás apenas da China. E com eleições no radar, 2026 tende a ser ainda mais delicado.

Aqui, vale esperar pelo inimaginável. Gás, luz, água, carnaval, programas sociais ampliados, novas promessas. O céu é o limite em um país que já vem sendo sacudido pelo populismo nos últimos anos. 

O desfecho desse filme você já conhece.

Diante disso, minha expectativa é: 2026 será um ano intenso e cheio de surpresas. Um período que exige menos emoção e mais frieza na leitura do cenário, para escolher, de forma consciente, os caminhos que realmente estão a seu favor.

E se tudo isso te fez pensar em como se posicionar melhor nesse cenário, conte com a Settee. Nosso trabalho é ajudar você a organizar as possibilidades e colocar em prática novas residências, empresas, cidadanias, contas bancárias ou um planejamento tributário pensado para o mundo de hoje.

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