Quando você coloca aqueles óculos para assistir a um filme em 3D no cinema, como Avatar, é comum imaginar que essa tecnologia tenha nascido em laboratórios de ponta em Hollywood ou no Japão.
Mas não é bem assim. A "terceira dimensão" tem DNA verde e amarelo e nasceu na primeira parte do século passado, mais precisamente pelo Rio de Janeiro, em 1934.
Naquele ano, Sebastião Comparato, italiano naturalizado brasileiro, apresentou os primeiros modelos funcionais de projetores tridimensionais do país.
O objetivo era criar imagens com profundidade real, capazes de ocupar o espaço diante do espectador.
Comparato havia chegado ao Brasil ainda bebê e construiu sua trajetória em São Paulo. Formou-se em medicina, mas dedicou grande parte da vida ao estudo da visão humana, da percepção e da imagem em movimento.
A partir desses estudos, passou a buscar o que chamava de “terceira dimensão” no cinema.
O resultado foi um sistema que podia ser adaptado a projetores comuns. Um pequeno equipamento adicional e uma tela especial permitiam que a imagem fosse refletida por um espelho.
O efeito criava a sensação de profundidade, como se a cena avançasse sobre um palco vazio. Pessoas e paisagens ganhavam volume diante do público.
Em 1934, os modelos foram apresentados no Rio de Janeiro, então capital federal. Dois anos depois, em 1936, o sistema foi demonstrado no Cine Metrópole, que passou por adaptações para receber a tecnologia.




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