Em 13 de maio de 1981, o mundo assistiu horrorizado ao atentado que quase tirou a vida de João Paulo II, o Papa polonês que se tornaria um símbolo da resistência ao comunismo.
Mehmet Ali Ağca, turco ligado ao grupo nacionalista Lobos Cinzentos, disparou contra o Pontífice na Praça de São Pedro, no Vaticano, ferindo-o gravemente. Segundo o médico que cuidou do Papa, a bala fez uma curva impossível pelas leis da Física, dentro do corpo do pontífice, que o salvou da morte.
Por trás do atentado, há indícios robustos, confissões e outras provas de uma trama orquestrada pela KGB, a polícia secreta soviética, que via no Papa uma ameaça existencial ao império comunista.
Neste artigo, exploramos fontes confiáveis que apontam para essa "conexão búlgara" – e soviética – no atentado, revelando como a fé inabalável de João Paulo II desafiou não só balas, mas regimes totalitários inteiros.
A motivação era clara: Karol Wojtyła, eleito Papa em 1978, era um ferrenho anticomunista, com raízes profundas na Polônia ocupada. Sua eleição alarmou o Kremlin, que o via como um catalisador para a instabilidade no Bloco Oriental.
Documentos desclassificados e testemunhos de desertores revelam que a KGB monitorava Wojtyła desde 1971, rotulando-o como portador de "visões anticomunistas extremas".
Sua visita à Polônia em 1979 inflamou o movimento Solidariedade, liderado por Lech Wałęsa, que abalou as fundações do comunismo soviético. Para Moscou, eliminar o Papa era uma questão de sobrevivência política.
A teoria do envolvimento soviético ganhou força com as investigações italianas e relatórios de inteligência. Ağca, condenado à prisão perpétua na Itália (e perdoado pelo Papa em 1983), inicialmente confessou contatos com a secreta búlgara (DS), que operava sob supervisão direta da KGB.
Cada departamento da DS era controlado por um oficial soviético, e ações como assassinatos políticos exigiam aprovação do Politburo ou da KGB. Ağca passou 50 dias em Sófia, Bulgária, em 1980, onde recebeu suporte logístico, incluindo um passaporte falso e reuniões com figuras ligadas ao submundo turco controlado pelos búlgaros.
Fontes indicam que ele foi financiado com quantias significativas – entre US$ 13 mil e US$ 18 mil depositados em contas bancárias desde 1977 –, incomuns para terroristas turcos da época, sugerindo patrocínio externo.
A "conexão búlgara" é o elo chave. Sergei Antonov, um agente búlgaro em Roma, foi preso com base no testemunho de Ağca, acusado de recrutar o atirador por 3 milhões de marcos alemães.
Embora absolvido em 1986 por falta de provas concretas (após Ağca retratar partes de sua declaração), evidências posteriores reforçaram a suspeita, como a abertura de arquivos do Bloco Oriental pós-1989 e a Comissão Mitrokhin Italiana de 2002 e 2006.
A Comissão Mitrokhin, criada pelo Parlamento italiano em 2002, concluiu "além de qualquer dúvida razoável" que a União Soviética ordenou o atentado, delegando-o aos serviços búlgaros e alemães-orientais. Análises de fotos mostraram Antonov na Praça de São Pedro no dia do atentado, contradizendo seu álibi.
Documentos desclassificados da CIA e da Biblioteca Reagan corroboram isso. Relatórios de 1983, incluindo análises de Marvin Kalb (NBC) e artigos no Washington Post, apontam que a DS búlgara não atuaria sem aprovação da KGB, e Yuri Andropov, chefe da KGB na época, teria conhecimento direto.
Há menções a uma "operação molhada" (wet-op, jargão para assassinato), com tecnologia sofisticada – semelhante ao usado no assassinato de Georgi Markov em 1978 – que a Bulgária não produziria sozinha, implicando suporte soviético.
Mais recentemente, o livro do juiz Ilario Martella, envolvido nas investigações dos anos 1980, revela uma campanha de desinformação soviética chamada "Operação Papa", que incluiu manipulação midiática, assassinatos e sequestros para desviar a culpa para a CIA e encobrir laços soviéticos.
Evidências incluem um veículo diplomático búlgaro deixando Roma logo após o atentado e fotos de um cúmplice fugindo. Agentes da Stasi (Alemanha Oriental) admitiram esforços para libertar Antonov, confirmando o envolvimento do bloco soviético.
Testemunhos de desertores reforçam a trama. Iordan Mantarov, desertor búlgaro, relatou à inteligência francesa em 1983 uma colaboração KGB-DS para assassinar o Papa, visto como peça central de uma "conspiração americana" para subverter a Polônia.
Anomalias em comunicações entre Bulgária e Itália antes do atentado – um pico seguido de silêncio – sugerem coordenação.
Embora tribunais italianos não tenham condenado os búlgaros por falta de provas irrefutáveis, e críticos como Noam Chomsky questionem a teoria como "desinformação", o acúmulo de evidências de inteligência, comissões parlamentares e livros recentes aponta para uma orquestração soviética.
João Paulo II, que perdoou Ağca pessoalmente, suspeitava de origens comunistas, mas optou pela reconciliação em vez de inquéritos públicos.
Esse atentado não foi mero acaso: foi um capítulo na guerra fria entre a fé e o ateísmo comunista.
Sobrevivendo milagrosamente – atribuindo sua salvação a Nossa Senhora de Fátima, cuja aparição ocorreu no mesmo dia 13 de maio –, João Paulo II intensificou sua luta, apoiando o Solidariedade e contribuindo para a queda do Muro de Berlim em 1989.
Sua resiliência ecoa o legado de mentores como Adam Sapieha e Stefan Wyszyński, que o prepararam para enfrentar totalitarismos.
Essa é a essência do Papa que venceu o comunismo – uma história de coragem divina contra maquinações humanas. Fontes como relatórios da CIA, comissões italianas e análises acadêmicas iluminam esse mistério do século XX, reforçando por que João Paulo II permanece um ícone da liberdade.
Para conhecer profundamente a atuação e importância do Papa, no dia 14 de agosto estreia o "Especial João Paulo II", marcando o lançamento do documentário biográfico "O Papa que Venceu o Comunismo", produzido pela Brasil Paralelo.
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Reagan Library Document: Bulgarian/KGB/Pope Connection
U.S. Department of State Historical Documents (FRUS 1981-88 v03 d255)
CIA Document: The Plot to Kill Pope John Paul II
CSCE Transcript: The Assassination Attempt on Pope John Paul II
Academic Paper: Pope John Paul II, the Assassination Attempt, and the Soviet Union
CIA Document: Soviet KGB Behind Attempted Assassination
JSTOR Article: The Assassination Attempt on Pope John Paul II: Foreign Denial and Deception?
Academic Thesis: Pope John Paul II's Role in the Collapse of Poland's Communist System
U.S. Department of State Historical Documents (FRUS 1981-88 v10 d374)
CSCE Hearing: The Assassination Attempt on Pope John Paul II
NBC News: Soviets Behind 1981 Pope Shooting, Panel Finds
Mitrokhin Commission
Reason Magazine: The KGB and the Pope: Is the Case Closed Yet?
National Catholic Register: BOMBSHELL CLAIM: Soviets Wanted Pope Killed
The Irish Times: Soviets Were Behind Pope John Paul's Shooting - Report
Italian Mitrokhin Commission
Primidi: Pope John Paul II Assassination Attempt - Mitrokhin Commission's Claims
The New York Times: Italy Concludes Soviets Were Behind 1981 Plot to Kill Pope
Los Angeles Times: Soviet Defector Says KGB Plotted to Kill the Pope
University of Cambridge: Mitrokhin’s KGB Archive Opens to Public
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