O PCC começou controlando a periferia: tráfico de drogas, assaltos, pequenos esquemas. Evoluiu, depois, para a política, usando contratos públicos e licitações fraudulentas. Agora, segundo a Receita Federal, estamos na terceira fase: a captura silenciosa do sistema financeiro nacional.
Não se trata mais de malas de dinheiro escondidas ou empresas fantasmas fáceis de identificar. O crime hoje veste terno, circula na Avenida Faria Lima e compra fatias inteiras de cadeias produtivas.
No Brasil de 2025, o crime já não se esconde nas sombras, mas também circula de terno e gravata. É fundamental entender como o país chegou nesta situação. No documentário Entre Lobos, a Brasil Paralelo revela em detalhes como organizações criminosas capturaram a política, a economia e agora avançam sobre o sistema financeiro. Assista e veja o que a grande imprensa não mostra.
Antigamente, lavar dinheiro significava mandá-lo para ilhas no Caribe ou para cofres secretos em Genebra. Hoje, pode incluir abrir uma conta em fintechs.
A superintendente da Receita Federal, Marcia Meng destaca que não é qualquer fintech que abre precedente para esse tipo de ocorrência:
“É bom a gente fazer uma diferenciação. Há fintechs que atuam regularmente no mercado e há essas fintechs que a gente está se referindo. Essas fintechs se transformaram em verdadeiros operadores do crime organizado dentro do sistema financeiro. São elas que permitem a introdução do dinheiro ilícito no sistema. Eles bancarizaram a atividade financeira dessas entidades criminosas.”
A superintendente da Receita Federal, Marcia Meng apontou que hoje elas estão dentro da economia formal.
“Compram empresas que são operacionais, usam fintechs para bancarizar o dinheiro ilícito e usam fundos de investimento para adquirir patrimônio e blindar o real beneficiário deste patrimônio.”
O processo funciona assim:
Ou seja, o crime não vive mais na margem do sistema: ele se infiltrou nele.
Quando uma facção passa a comprar empresas em série, o jogo de mercado se distorce. Produtos adulterados invadem prateleiras, concorrentes honestos não conseguem competir e até setores estratégicos, como energia e transporte, passam a depender do capital do crime.
O risco é estrutural: o crime deixa de ser um inimigo externo e passa a ser um acionista oculto da economia brasileira.
De acordo com a Receita Federal, facções como o PCC passaram ter atuação em várias etapas da cadeia produtiva: desde a importação de produtos até a venda para o consumidor.
Usando fundos de investimento, essas organizações compram empresas em vários setores e dificultam a concorrência de quem trabalha de forma legal.
Esse domínio chega também a áreas estratégicas, como a energia: enquanto o Brasil tenta investir em uma matriz mais limpa, o crime empurra soluções mais baratas e poluentes, colocando seus interesses acima do futuro econômico e ambiental do país.
O país está diante de um impasse. Se, por um lado, fintechs representam inovação, inclusão e acesso para milhões de brasileiros, por outro, várias são usadas como o banco preferencial de organizações que incidem em atividades ilegais.
O desafio é equilibrar inovação e segurança, sem matar o ecossistema tecnológico, mas também sem permitir que a economia nacional seja sequestrada por organizações criminosas.
O que se percebe é a influência crescente de uma economia paralela dentro da economia formal. A facção que começou nas celas de presídios agora transita nos corredores de fundos de investimento e escritórios envidraçados.
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