O perigo do ressentimento racial
O golpe republicano de 1889, de fato, interrompeu o projeto pós-abolição, deixando os negros recém-libertos à própria sorte, enfrentando pobreza, analfabetismo, doenças e desemprego. Esses problemas sociais, somados ao estigma racista, contribuíram para a precariedade da população negra. No entanto, não é possível estabelecer uma linhagem direta entre os negros atuais e os escravos do passado. A miscigenação – que é única em intensidade na história do Brasil – torna impraticável quantificar quem é diretamente descendente de escravos. A atenção deve ser dada aos problemas atuais que afligem os mais pobres, em vez de tentar reparar a escravidão do passado com medidas que colocam os negros em uma posição de inferioridade.
Devemos ficar atentos às falácias apresentadas para tentar nos convencer de que as cotas raciais ajudam a inserir a população negra na sociedade. Walter E. Willians, economista, argumenta que “por causa delas [cotas], a competência de muitos negros é vista com desconfiança. ”
Além disso, as ações afirmativas podem criar um possível ressentimento racial, aumentando divisões no lugar de promover a união entre toda a população. Como argumenta Coleman Hughes, apresentador e escritor norte-americano, "[se] fôssemos pagar reparações hoje, apenas dividiríamos ainda mais o país, tornando mais difícil a construção das coalizões políticas necessárias para resolver os problemas que os negros enfrentam hoje. "
A verdadeira equidade que devemos promover não deve ser baseada em fatores raciais, mas sim no mérito e na capacidade de cada um. Ao sugerir que os negros não podem competir em pé de igualdade sem uma “ajuda”, a cota racial minimiza o mérito individual, reforçando estereótipos negativos e desincentivando o esforço, prejudicando a longo prazo os próprios beneficiários dessas políticas.
Por isso, faz-se necessário a substituição das cotas raciais por cotas sociais, abrangendo um maior número de pessoas, categorizando não pela cor de pele, mas sim pela condição financeira. Na realidade brasileira é notório que a maior parcela da população de baixa renda é de negros, porém não podemos deixar de lado a parcela de brancos que também não tem condições para arcar com os custos de uma faculdade, por exemplo.
Senzala Ideológica
Por fim, o mais perigoso nesse debate, é justamente o que intitula meu livro sobre o assunto: a Senzala Ideológica. Ao se apropriar do debate sobre o racismo, a esquerda transformou todos os negros que discordam de sua visão em “traidores da própria raça”. São os “capitães-do-mato”, como Ciro Gomes se referiu a mim. Contra essas pessoas, líderes e militantes esquerdistas se sentem no direito de utilizar o mais vil racismo e as mais baixas ofensas, expondo a sua hipocrisia e demonstrando a utilização cruel dessa bandeira para angariar votos. Para isso, ocultaram diversas figuras negras históricas que não serviam aos seus propósitos marxistas, como André Rebouças, e criaram mitos que favorecessem a sua narrativa, como Zumbi dos Palmares. Contudo, para entender melhor os detalhes da construção dessa Senzala e os métodos desenvolvidos até aqui por eles, fica o convite para a leitura do meu livro “Senzala Ideológica: a escravidão do negro no século XXI”.
Fernando Holiday é graduado em história, pós-graduado em ciências políticas e atualmente ocupa o cargo de vereador da cidade de São Paulo.
Lançamento
Livro: Senzala Ideológica: a escravidão do negro no século XXI.
Dia: 21/06/2024.
Horário: 19h.
Local: Livraria Drumond.
Av. Paulista, n.2073, Conjunto Nacional, Loja 153 — Consolação — São Paulo (SP).