Os Camisas Negras eram a milícia que formava o braço armado do fascismo italiano. Sua missão era o sufocamento dos grupos socialistas, religiosos e quaisquer outras ideologias que ameaçassem a criação de um Estado totalitário governado pela sua visão de mundo.
O que começou como uma suposta força civil de segurança cresceu rapidamente, apoiada por setores influentes da sociedade italiana, como empresários e grandes proprietários de terra.
Com o crescimento, eles protagonizaram a Marcha sobre Roma, um dos maiores eventos da história da Itália, fundamental na ascensão de Mussolini ao poder.
Conheça a história e a importância dos Camisas Pretas, o grupo fascista que dominou a Itália, desde a sua origem até a queda do fascismo no país.
A Milícia Voluntária para a Segurança Nacional (MVSN), popularmente conhecida como Camisas Negras, começou como uma milícia política que foi peça-chave para o fascismo crescer rápido entre 1920 e 1921 na Itália.
A ideia de milícias não era nova. Já existia entre jacobinos, liberais e socialistas do século XIX na França, mas ganhou força com os movimentos fascistas.
Na Itália, a inspiração para as “camisas” paramilitares vinha desde o militar revolucionário Giuseppe Garibaldi, general unificador da Itália que fundou a milícia “Camisas Vermelhas”.
O diferencial do fascismo foi transformar isso em uma milícia bem estruturada e agressiva contra oponentes políticos, tomando como um de seus exemplos os bolcheviques russos.
Após a Primeira Guerra Mundial, a Itália estava vivendo os Biennio Rosso (Dois Anos Vermelhos). Nesse período de 1919 e 1920 ocorriam greves gerais e ocupações de fábricas e terras por todo o país, lideradas por socialistas, comunistas e anarquistas.
Esses movimentos pediam melhores salários, jornada reduzida e até a tomada do poder pelo proletariado, inspirados na Revolução Russa de 1917. Para os nacionalistas e ex-combatentes que voltaram da guerra, isso parecia uma ameaça comunista que poderia destruir a Itália e trair o sacrifício feito na guerra.
A elite agrária e a burguesia também temiam perder suas terras e empresas, então apoiaram financeiramente as squadre d’azione, os squadristas.
Eles se viam como defensores da pátria contra o socialismo e usavam violência sistemática para quebrar sindicatos, fechar cooperativas e impedir greves.
Enquanto todo esse conflito acontecia, Benito Mussolini, jornalista e dirigente socialista, tinha fundado em 1919 os Fasci di Combattimento, um grupo nacionalista radical.
No início, esse movimento era pequeno. A força real vinha das squadre d’azione, que ganhavam poder nas ruas usando violência contra socialistas e grevistas.
Entre 1919 e 1921, durante a ascensão do fascismo, a pressão dos squadristas fez Mussolini transformar o movimento em um “partido de milícia”. Para não perder o controle e manter esses grupos sob sua liderança, Mussolini adaptou a estrutura do partido ao modelo militar dos squadristas.
Assim, o Partido Fascista passou a valorizar patriotismo, união entre os membros, disciplina e espírito de luta.
Essa forma de organização virou a base do movimento. Com isso, o fascismo se tornou um movimento nacionalista de massa, algo diferente para a época.
Em 1922, o partido já tinha mais de 200 mil membros, uma milícia armada, grupos organizados de mulheres e jovens e sindicatos com meio milhão de filiados. Nesse ponto, o Partido Nacional Fascista (PNF) se tornou a força política mais poderosa do país.
Em 28 de outubro de 1922, aconteceu a Marcha sobre Roma, uma ação militar organizada pelo Partido Nacional Fascista, sob liderança de Benito Mussolini.
Dezenas de milhares de Camisas Negras partiram de diferentes regiões da Itália rumo à capital, exigindo do rei Vítor Emanuel III que entregasse a liderança política e, ao mesmo tempo, sugerindo que o poder poderia ser tomado pela força caso não fossem atendidos.
Em 24 de outubro de 1922, o Partido Nacional Fascista promoveu em Nápoles, no sul da Itália, um grande encontro da milícia Camisas Negras. Durante o evento, Mussolini deixou claro que o partido exigia o governo e, caso não conseguissem, estariam preparados para tomá-lo à força.
O Primeiro-Ministro Luigi Facta foi avisado sobre a ameaça fascista, mas respondeu com a frase que ficou famosa na história: “Eu confio!”.
O fato do encontro de Nápoles ter terminado de forma pacífica, sem violência ou confrontos, gerou a impressão de que eles poderiam ser pacíficos.
Na noite entre 27 e 28 de outubro o Primeiro-Ministro foi informado de que os fascistas já haviam partido rumo a Roma. Eles viajavam nos trens que tinham requisitado e já tinham ocupado instituições e espaços públicos.
Facta convocou o gabinete e preparou um Decreto de Emergência, que propunha o estado de sítio e permitiria que o exército atacasse e detivesse os fascistas. Na manhã de 28 de outubro, ele levou o decreto ao rei Vítor, mas ele se recusou a assiná-lo.
Alguns historiadores sugerem que conservadores aconselharam o rei a não assinar, esperando a renúncia do impopular Facta. Outros afirmam que altos oficiais do exército e da marinha alertaram o rei de que os fascistas eram muito numerosos e que a assinatura poderia provocar uma guerra civil.
Em 28 de outubro de 1922, ocorreram diversas manifestações fascistas. Mussolini seguiu para Milão, onde esperou para ver como os eventos se desenrolariam. No mesmo dia, o rei ofereceu a Mussolini a possibilidade de um governo compartilhado com o novo Primeiro-Ministro, mas Mussolini rejeitou dividir o poder.
O rei finalmente cedeu às exigências e nomeou Mussolini como Primeiro-Ministro. Na mesma noite, Mussolini embarcou em um trem noturno para Roma, chegando à capital às 11h30 do dia 30 de outubro de 1922.
Enquanto isso, os Camisas Negras já estavam acampados na cidade, aguardando a chegada do líder. O grupo dobrou de tamanho: de cerca de 30 mil no início da marcha, agora eram mais de 70 mil, somando-se os simpatizantes locais que já estavam na capital.
Mussolini conversou com o rei. Prometeu montar um governo que incluísse personalidades fora do Partido Fascista e representantes de setores políticos “populares”.
Em 30 de outubro, ele anunciou os nomes do novo governo, que incluíam apenas três fascistas: Alberto de Stefani, Giovanni Giuriati e Aldo Oviglio, todos de orientação moderada.
No dia seguinte os ministros fizeram o juramento no Palácio Quirinal, então residência do rei. Depois, aconteceu um grande desfile fascista, no qual os Camisas Pretas marcharam por mais de seis horas diante do rei.
Enquanto isso, nas ruas e bairros ao redor de Roma, aconteciam atos de violência contra jornais socialistas e assassinatos de opositores.
Nos anos que se seguiram, os fascistas, liderados por Mussolini, implantaram uma ditadura totalitária de partido único. O Partido Nacional Fascista não permitia opositores. Estes eram perseguidos, presos ou mortos.
Contudo, esse resultado não foi atingido somente com força e luta armada. Os fascistas dominavam o poder da comunicação e narrativas. Aprenda como os fascistas dominaram a Itália controlando a mídia.
Os membros das milícias fascistas lideradas por Mussolini adotaram camisas inteiramente pretas como parte de seu uniforme. Esse visual forte se tornou emblemático ao ponto que o termo “Blackshirts” (“Camicie Nere”, em italiano) passou a ser sinônimo desses combatentes fascistas.
A adoção da camisa negras não foi aleatória. Ela remeteu à farda dos Arditi, tropas de choque italianas da Primeira Guerra Mundial que usavam uniformes escuros e eram associadas à bravura e ao elitismo militar. Ao escolher essa cor, Mussolini buscava evocar esse prestígio militar e atrair veteranos para sua milícia
A ideologia dos Camisas Negras era o fascismo. Ele conserva oito características principais:
A Brasil Paralelo detalha melhor todos esses itens no texto em que explicamos as 8 características do fascismo. Leia para entender essa ideologia que dominou a Itália.
Com a queda do regime fascista em 25 de julho de 1943, a maioria das unidades da MVSN ficou esperando ordens do Comando Geral, embora alguns pelotões tenham reagido isoladamente.
Até mesmo o famoso Batalhão M de Como, que marchava em direção a Roma, foi parado a poucos quilômetros da capital por ordem do General Galbiati, chefe do Estado-Maior da Milícia.
Entre 25 e 26 de julho de 1943, a Divisão M recebeu ordens apenas para continuar os treinos. A unidade chegou a contatar o comando da 3ª Divisão Panzergrenadier para organizar uma reação armada, mas nada aconteceu.
O General Galbiati deixou o cargo de Chefe do Estado-Maior, que passou para o General Conticelli, do Exército Real. Então, o Marechal Pietro Badoglio ordenou que a milícia tirasse os feixes das lapelas dos casacos e os substituísse por estrelas, sinalizando o fim dos Camisas Negras como símbolo do fascismo.
O general Quirino Armellini foi nomeado comandante-geral, substituindo Benito Mussolini. Todos os comandantes das milícias especiais também foram trocados por oficiais de alta patente do Exército Real ou dos Carabinieri.
As legiões de assalto das Camisas Negras que já estavam anexadas às divisões do exército, foram temporariamente renomeadas como unidades “legionárias”. Começaram a ser incorporadas como terceiro regimento de infantaria divisional, processo que ainda estava em andamento na maioria das divisões quando ocorreu o armistício.
Com o armistício de 8 de setembro de 1943, a MVSN se dissolveu no meio da desordem geral das Forças Armadas italianas. As unidades que estavam no norte da Itália, na França e nos Bálcãs acabaram se juntando em grande parte à República Social Italiana (RSI).
A partir de 15 de setembro, essas unidades passaram a ser comandadas por Renato Ricci e, em 8 de dezembro de 1943, foram incorporadas à Guarda Nacional Republicana.
No Reino do Sul, em 6 de dezembro de 1943, o rei, seguindo a proposta do Chefe de Governo Badoglio, decretou a dissolução definitiva da MVSN a partir de 9 de dezembro. Os membros da milícia foram transferidos para as forças armadas, mantendo as patentes que possuíam.
Quando foram dissolvidos, os Camisas Negras já tinham 14.142 soldados mortos. Entre suas honrarias, houve 57 condecorações à bandeira, incluindo 20 Ordens de Saboia militares.
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