Locke defende que para garantir a liberdade e evitar abusos de poder, os poderes do Estado devem ser distintos e limitados, pois “quem faz a lei não deve aplicá-la”. Sua proposta é considerada precursora do princípio moderno da separação de poderes.
Segundo Locke, existem três funções centrais do governo:
Poder Legislativo
- É o poder supremo porque cria as leis que regulam a sociedade.
- Deve ser limitado à proteção da vida, liberdade e propriedade e não pode transferir sua autoridade a outro órgão.
- Deve agir de acordo com leis gerais, públicas e estáveis, não arbitrárias.
Poder Executivo
- Responsável por executar as leis criadas pelo legislativo e administrar o governo no cotidiano.
- Deve aplicar as normas de forma justa, sem extrapolar sua competência.
Poder Federativo (ou de Relações Externas)
- Trata das relações com outros Estados (guerra, paz, alianças, comércio).
- Para Locke, é diferente do executivo interno, mas, na prática, muitas vezes se reúne à mesma autoridade.
Para entender de forma completa cada uma dessas instituições, leia o artigo: Quais são os três poderes que governam o Brasil?
Separação entre Igreja e Estado
Para Locke, a sociedade civil e a religião têm funções distintas:
- O Estado existe para proteger os direitos civis (vida, liberdade e propriedade).
- As igrejas cuidam da salvação das almas, algo que não pode ser imposto pela força.
Por isso, nenhum governo deve impor uma religião oficial nem perseguir pessoas por suas crenças, pois a fé só é válida se for fruto da convicção, não da coerção.
A tolerância, no entanto, não é absoluta. Locke exclui da proteção aqueles que ameaçam a ordem civil ou negam a liberdade religiosa aos outros. A defesa da tolerância é, portanto, um princípio político e moral que garante a paz social e respeita a liberdade individual.
“A tolerância é tão essencial para a sociedade civil quanto o ar para a vida.” (Carta sobre a Tolerância)
Resistência contra a Força Injusta
Locke afirma que o poder político é um poder de confiança. O povo delega autoridade ao governo para proteger seus direitos naturais. Quando o governante abusa desse poder, ele rompe o contrato social. Ele faz isso:
- Agindo contra a lei natural;
- Violando os direitos naturais;
- Ultrapassando os poderes concedidos pelo povo;
Nesse caso, ele perde sua legitimidade e os cidadãos têm não apenas o direito, mas o dever de resistir. Essa resistência pode chegar à revolução, destituindo governantes ilegítimos e instaurando outro governo que cumpra a finalidade original: proteger direitos naturais.
Locke argumenta que esse princípio não leva ao caos, porque os homens só recorrem à resistência quando a opressão é clara e insuportável. Assim, o direito de resistência é uma garantia contra a tirania.
“O direito de revolução é o último recurso contra a tirania.” (Segundo Tratado sobre o Governo Civil)
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Obras mais importantes de John Locke
Dois Tratados sobre o Governo Civil – 1689: Obra política mais importante de Locke. No Segundo Tratado, desenvolve as ideias de estado de natureza, contrato social, direitos naturais, propriedade e direito de resistência.
Ensaio sobre o Entendimento Humano – 1689: Obra fundamental da epistemologia moderna. Locke discute a origem do conhecimento, defendendo que não existem ideias inatas; todo conhecimento vem da experiência.
Carta sobre a Tolerância – 1689: Texto político e religioso, defendendo a liberdade de consciência e a separação entre Igreja e Estado.
Alguns Pensamentos sobre a Educação – 1693: Trata da formação moral e intelectual das crianças, enfatizando disciplina, hábitos saudáveis e experiência prática.
A Razoabilidade do Cristianismo – 1695: Obra teológica, argumentando que o cristianismo é compatível com a razão e rejeitando dogmatismos.
Parte do Segundo Tratado: Frequentemente estudado separadamente, por conter a base do liberalismo político.
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